Do por vir ao ser...
terça-feira, 6 de junho de 2023
Da essência do ser à alegria do viver
sábado, 14 de novembro de 2020
Percepções...
II. Sobretudo, tem me causado encanto a percepção que minha companheira tem de si, guardando uma vida que Deus gera nela. As exclamações são uma oração: "Sim! Eu posso ser mãe! Posso gerar uma outra vida em mim!" Essas afirmações revelam uma nova autocompreensão imbuída de uma verdade antes pretensamente duvidosa, pois só se sabe poder ser mãe, experimentando (Locke tem razão!), de outra maneira, via confirmação de gravidez. É uma verdade que também pode ser confirmada por mim: posso ser pai!
quarta-feira, 2 de setembro de 2020
Revelação da revelação
o certo é que Deus dá
para nós a nossa vida
somente Ele é quem sabe
nossa sorte decidida
por muitos dias deixei
todos na expectativa
pensaram ser menino
eu, menina, tão ativa
deram-me até nome
como tinha que ser
e poema escreveram
como só podia acontecer
e, eu, me rindo, sempre
até do douto médico
que, gente, também erra
de modo grave, épico
e, aqui, estou eu
revelação da revelação
menina é que sou
quero poesia e canção
Maria Sophia me apresento
para toda linda gente
a todos surpreendo
e também quero presente
vovó Cosma falava
e tinha quase certeza
está certo esse exame
que foi posto sobre a mesa?
e, como minhas avós tenho
Maria por nome
e da sabedoria
Sophia por pronome
amo a todos desde sempre
como tinha que ser
quero o amor de todos
pequenina a crescer
José
Heber e Érica, na ultrassom de 5 meses, 2 set. 2020
quarta-feira, 15 de julho de 2020
Quem nasce!
Essa autocompreensão de que também se nasce como pai me parece necessária e assaz importante: todo o cuidado prestado ao infante, também é importante ser voltado ao pai e à mãe que também nasceram para essa nova condição. Não seria estranho afirmar que, a ausência dessa autopercepção, prejudica na própria forma de relacionar-se com o novo ser que inaugura sua existência no mundo!
Há anos como professor escuto queixas aos pais, às mães, pela forma como lidam com seus filhos, estudantes. Além da falta do elemento cativador para o estudo, percebe-se a ausência de carinho, de bem-querer, etc. Em inúmeros casos apercebo o sentimento de que, sequer, muitos queriam ser pais. Quando escutava críticas proferidas aos pais por parte de colegas, respondia: Ora, aprende-se a ser pai, ser mãe, sendo! Não há outra escola para formação de pais, de mães, que não a vida, de modo que é necessário frisar: aprende-se a ser pai, ser mãe, sendo!
A "escola" do ser pai, do ser mãe agora que estou vivendo essa experiência, é todo o processo. É-se pai, mãe, desde que se o planeja, senão, desde que se o sabe. Mais que isso, além do saber racional, importa o saber emocional, a autocompreensão de que o mundo será outro, de que o filho que está por vir é o excedente do amor dos pais. Essa compreensão, aliada a autopercepção de que vale muito a reflexão sobre o novo estado estado de espírito e vida, compreende a escola, em si. As experiências de como os pais criaram esses novos pais pode ser importante, mas deve ser por demais refletida, do contrário se perpetuará o "Vida Maria"!
terça-feira, 14 de julho de 2020
Revelação
Minha vez!
a deslindar em rio
se põe curiosa
por demais ansiosa
- a mulher reluzente
em alegria latente -
a saber se é verdade
o que dentro pressente
e seu rosto assente
tão cheio de brio
será que verdade?
um teste, dois testes
de farmácia a dizer
aí vem um filho
e se põe a querer...
meu Deus, é verdade
que ao amanhecer
será a vez
que tanto espero
com imensa vontade
minha gravidez?
jovem inda sou
mas põe-se a correr
o tempo feroz
cruel e atroz
que nunca perdoa
o que tem de ser
nesses 29 anos
vivo e exclamo
pelo que há de ser
estou ansiosa
uma, duas ou três
graciosas criaturas
de Deus em ternura
como Ele quiser
que seja minha vez!
(sobre a expectativa da confirmação de gravidez depois de testes de farmácia em 28 e 29 de maio.)
José Heber de Souza Aguiar, 29 de junho de 2020
Sobre o amor
Imagino que muita gente no mundo não viva essa experiência e, logo eu que, por muito tempo reneguei, vivo! Digo logo como resposta: todo meu cuidado e amor é resposta natural ao seu.
Nesses tempos em que estamos grávidos minha digníssima mudou e para muito melhor. O que já é bom pode melhorar, sim, não estragar como reza o senso comum. É perceptível um especial encantamento em minha amada. Sim, mas é uma experiência especial (sic).
Mas não é verdade que todas as mulheres grávidas comportem-se como a minha se comporta. Já vi tanta coisa por aí nesses meus 36 anos de vida! Minha digníssima está totalmente encantada com a experiência que vive, e eu, naturalmente, me encanto duas vezes: por estar me percebendo pai - depois de tanto ter me negado essa possibilidade quando não pensava em casar, ter filhos... - e por percebê-la ao passar com plena suavidade óleo sobre a barriga e dizer: "eu posso gerar uma vida! Como é diferente saber que tem uma vida sendo gerada dentro de mim...". Já ouvi essa fala enes vezes e cada nova vez é como se fosse a primeira: é mágico tudo e tudo é mágico!
Outro dia embebido dessa experiência, expressei: "como pode haver genitores capazes de se desfazerem de um filho?" Ela afirmou: "não pode ser gente! Não é possível que depois de nove meses com essa experiência não tenha amor." Sim, são afirmações válidas, pensei, mas toda experiência é única. O desespero de quem comete abandono de um filho não pode ser medido com regra geral, é verdade. Em meus tempos idos soube de "mais" e "pães" (sic) que abandonaram seus filhos para garantir que pudessem ter, em outra família, o que na deles não seria possível: vida, simples assim! Essas pessoas sofreram toda a vida a ausência do ente abandonado pelo desespero da necessidade o que me faz crer que o amor mora em certos tipos infelizes de abandono, por mais contraditório que possa parecer.