terça-feira, 14 de julho de 2020

Sobre o amor

Como é gostoso escutar vez e outra: "amor, obrigado!" A pergunta subsequente é: "obrigado por qual razão, minha amada?" E a resposta: "por me proteger, por cuidar de mim, por me amar..".

Imagino que muita gente no mundo não viva essa experiência e, logo eu que, por muito tempo reneguei, vivo! Digo logo como resposta: todo meu cuidado e amor é resposta natural ao seu.

Nesses tempos em que estamos grávidos minha digníssima mudou e para muito melhor. O que já é bom pode melhorar, sim, não estragar como reza o senso comum. É perceptível um especial encantamento em minha amada. Sim, mas é uma experiência especial (sic).

Mas não é verdade que todas as mulheres grávidas comportem-se como a minha se comporta. Já vi tanta coisa por aí nesses meus 36 anos de vida! Minha digníssima está totalmente encantada com a experiência que vive, e eu, naturalmente, me encanto duas vezes: por estar me percebendo pai - depois de tanto ter me negado essa possibilidade quando não pensava em casar, ter filhos... - e por percebê-la ao passar com plena suavidade óleo sobre a barriga e dizer: "eu posso gerar uma vida! Como é diferente saber que tem uma vida sendo gerada dentro de mim...". Já ouvi essa fala enes vezes e cada nova vez é como se fosse a primeira: é mágico tudo e tudo é mágico!

Outro dia embebido dessa experiência, expressei: "como pode haver genitores capazes de se desfazerem de um filho?" Ela afirmou: "não pode ser gente! Não é possível que depois de nove meses com essa experiência não tenha amor." Sim, são afirmações válidas, pensei, mas toda experiência é única. O desespero de quem comete abandono de um filho não pode ser medido com regra geral, é verdade. Em meus tempos idos soube de "mais" e "pães" (sic) que abandonaram seus filhos para garantir que pudessem ter, em outra família, o que na deles não seria possível: vida, simples assim! Essas pessoas sofreram toda a vida a ausência do ente abandonado pelo desespero da necessidade o que me faz crer que o amor mora em certos tipos infelizes de abandono, por mais contraditório que possa parecer.

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