sábado, 14 de novembro de 2020

Percepções...

I. É emocionante acompanhar a mulher em todo o processo de descoberta da gravidez, o que inclui a incerteza quanto à confirmação, e as dúvidas posteriores: o que pode acontecer, como tudo será, etc. Meu primeiro sentimento ao ver minha digníssima se percebendo (sic) foi o de que ela passou por um processo de retorno às pretéritas impressões femininas, lá, na infância, quando brincava de boneca, cuidava de uma vida, ainda que fosse em realidade fantasiada, enfim...

II. Sobretudo,  tem me causado encanto a percepção que minha companheira tem de si, guardando uma vida que Deus gera nela. As exclamações são uma oração: "Sim! Eu posso ser mãe! Posso gerar uma outra vida em mim!" Essas afirmações revelam uma nova autocompreensão imbuída de uma verdade antes pretensamente duvidosa, pois só se sabe poder ser mãe, experimentando (Locke tem razão!), de outra maneira, via confirmação de gravidez. É uma verdade que também pode ser confirmada por mim: posso ser pai!

III. Quantos sustos tenho tomado com as exclamações surpresas de minha esposa: Olha, amor, olha, a neném se mexendo. No início dessas, praticamente eu não percebia as movimentações de nossa Maria Sophia, mas ela insistia que eu visse e eu fitava sua barriga crescente. Com boas semanas, passei a ver as ondas ligeiras que se tornaram frequentes, mas depois de sorrisos de minha digníssima, motivados pela movimentação em seu ventre.

IV. Como todo o processo de uma gravidez avança rapidamente! Já estamos com mais de sete meses nessa experiência que, para nós, aconteceu há bem pouco tempo, como acusa nossa impressão! No transcorrer dos dias vamos nos organizando, adquirindo o enxoval da nossa filhota e imaginando ela em nosso meio, interagindo conosco, nos dando vida! 

V. Após uma gestação, quem nasce? Após a primeira gestação, quem nasce? Às duas perguntas, nascerá sempre o  bebê a inaugurar o mundo e isso é, no mínimo, lógico. Mas a segunda indagação exige um olhar diferenciado: quando nasce o primeiro filho de um casal, nasce também um pai e uma mãe, exatamente assim! Parece que a celebração, a alegria que transcorre o período de geração, é sempre para o nascituro, mas há que se ampliar essa perspectiva: há pai e mãe que também hão de nascer!

quarta-feira, 2 de setembro de 2020

Revelação da revelação

o certo é que Deus dá

para nós a nossa vida

somente Ele é quem sabe

nossa sorte decidida

 

por muitos dias deixei

todos na expectativa

pensaram ser menino

eu, menina, tão ativa

 

deram-me até nome

como tinha que ser

e poema escreveram

como só podia acontecer

 

e, eu, me rindo, sempre

até do douto médico

que, gente, também erra

de modo grave, épico

 

e, aqui, estou eu

revelação da revelação

menina é que sou

quero poesia e canção


Maria Sophia me apresento 

para toda linda gente

a todos surpreendo

e também quero presente

 

vovó Cosma falava

e tinha quase certeza

está certo esse exame

que foi posto sobre a mesa?

 

e, como minhas avós tenho

Maria por nome

e da sabedoria 

Sophia por pronome

 

amo a todos desde sempre

como tinha que ser

quero o amor de todos

pequenina a crescer

 

José Heber e Érica, na ultrassom de 5 meses, 2 set. 2020


 


quarta-feira, 15 de julho de 2020

Quem nasce!

Há muito também parabenizo pais inéditos (para não expressar, "de primeira viagem") pelo nascimento deles como pais. Sim, quando nasce um primeiro filho, filha, também nasce um pai e uma mãe. Não poucas vezes senti um estranhamento motivado pela saudação e até tive que explicar: ora, não eras pai, não eras mãe, o que também é motivo de alegria e comemoração!

Essa autocompreensão de que também se nasce como pai me parece necessária e assaz importante: todo o cuidado prestado ao infante, também é importante ser voltado ao pai e à mãe que também nasceram para essa nova condição. Não seria estranho afirmar que, a ausência dessa autopercepção, prejudica na própria forma de relacionar-se com o novo ser que inaugura sua existência no mundo!

Há anos como  professor escuto queixas aos pais, às mães, pela forma como lidam com seus filhos, estudantes. Além da falta do elemento cativador para o estudo, percebe-se a ausência de carinho, de bem-querer, etc. Em inúmeros casos apercebo o sentimento de que, sequer, muitos queriam ser pais. Quando escutava críticas proferidas aos pais por parte de colegas, respondia: Ora, aprende-se a ser pai, ser mãe, sendo! Não há outra escola para formação de pais, de mães, que não a vida, de modo que é necessário frisar: aprende-se a ser pai, ser mãe, sendo!

A "escola" do ser pai, do ser mãe agora que estou vivendo essa experiência, é todo o processo. É-se pai, mãe, desde que se o planeja, senão, desde que se o sabe. Mais que isso, além do saber racional, importa o saber emocional, a autocompreensão de que o mundo será outro, de que o filho que está por vir é o excedente do amor dos pais. Essa compreensão, aliada a autopercepção de que vale muito a reflexão sobre o novo estado estado de espírito e vida, compreende a escola, em si. As experiências de como os pais criaram esses novos pais pode ser importante, mas deve ser por demais refletida, do contrário se perpetuará o "Vida Maria"!

terça-feira, 14 de julho de 2020

Revelação

há três meses já estou
pelo mundo pululando
e, na boca dos meus pais
há um coração saltitando

tantas dúvidas resolvi
quantas certezas vou mostrando
quando o querer é demais
gera uma vida, amando

tantos nomes já me deram
tantos sonhos estão sonhando
eu, aqui, só sei dizer
que, de tudo, estou gostando

minha mãe disse, é menina
meu pai foi logo concordando
mas no fundo sei que ele
tinha para mim outro plano

será Ana Sophia
nome lindo que combina
brilho e sabedoria
essa será sua sina

será Maria como as avós
já disseram, definindo
vai ser José Manoel como os avôs
papai respondeu, se menino

só depois de tanto tempo
pensamento divagando
definiram o meu nome
será José Fernando

José igual ao meu avô
e como o poeta, Fernando
aquele escritor lisboeta
que continua encantando

mas a certeza demora
ansiedade vai batendo
enquanto me cuidam aí fora
aqui dentro vou crescendo

e, eu, sempre de boa
irradiando devir
dou alegre a notícia
que um menino está por vir

na ultrassom desse dia
14 de julho, se passando
coração batia forte
de amor, estou amando

saber que venho ao mundo
e tanta gente me quer
cuida, ama, reza com fé
por me estar esperando

José Heber e Érica Mônica
14 de julho de 2020
sobre a descoberta do sexo do nosso bebê! Imperatriz-MA


Minha vez!

tal qual uma fonte
a deslindar em rio
se põe curiosa
por demais ansiosa
- a mulher reluzente
em alegria latente -
a saber se é verdade
o que dentro pressente
e seu rosto assente
tão cheio de brio
será que verdade?
um teste, dois testes
de farmácia a dizer
aí vem um filho
e se põe a querer...
meu Deus, é verdade
que ao amanhecer
será a vez
que tanto espero
com imensa vontade
minha gravidez?
jovem inda sou
mas põe-se a correr
o tempo feroz
cruel e atroz
que nunca perdoa
o que tem de ser
nesses 29 anos
vivo e exclamo
pelo que há de ser
estou ansiosa
uma, duas ou três
graciosas criaturas
de Deus em ternura
como Ele quiser
que seja minha vez!

(sobre a expectativa da confirmação de gravidez depois de testes de farmácia em 28 e 29 de maio.)

José Heber de Souza Aguiar, 29 de junho de 2020


Sobre o amor

Como é gostoso escutar vez e outra: "amor, obrigado!" A pergunta subsequente é: "obrigado por qual razão, minha amada?" E a resposta: "por me proteger, por cuidar de mim, por me amar..".

Imagino que muita gente no mundo não viva essa experiência e, logo eu que, por muito tempo reneguei, vivo! Digo logo como resposta: todo meu cuidado e amor é resposta natural ao seu.

Nesses tempos em que estamos grávidos minha digníssima mudou e para muito melhor. O que já é bom pode melhorar, sim, não estragar como reza o senso comum. É perceptível um especial encantamento em minha amada. Sim, mas é uma experiência especial (sic).

Mas não é verdade que todas as mulheres grávidas comportem-se como a minha se comporta. Já vi tanta coisa por aí nesses meus 36 anos de vida! Minha digníssima está totalmente encantada com a experiência que vive, e eu, naturalmente, me encanto duas vezes: por estar me percebendo pai - depois de tanto ter me negado essa possibilidade quando não pensava em casar, ter filhos... - e por percebê-la ao passar com plena suavidade óleo sobre a barriga e dizer: "eu posso gerar uma vida! Como é diferente saber que tem uma vida sendo gerada dentro de mim...". Já ouvi essa fala enes vezes e cada nova vez é como se fosse a primeira: é mágico tudo e tudo é mágico!

Outro dia embebido dessa experiência, expressei: "como pode haver genitores capazes de se desfazerem de um filho?" Ela afirmou: "não pode ser gente! Não é possível que depois de nove meses com essa experiência não tenha amor." Sim, são afirmações válidas, pensei, mas toda experiência é única. O desespero de quem comete abandono de um filho não pode ser medido com regra geral, é verdade. Em meus tempos idos soube de "mais" e "pães" (sic) que abandonaram seus filhos para garantir que pudessem ter, em outra família, o que na deles não seria possível: vida, simples assim! Essas pessoas sofreram toda a vida a ausência do ente abandonado pelo desespero da necessidade o que me faz crer que o amor mora em certos tipos infelizes de abandono, por mais contraditório que possa parecer.

Das mudanças...

a mulher muda
sonha e lembra
de quando criança
e leve brincava
cheia de esperança
de um dia mãe ser...

a mulher vibra
brilha, encanta
sente-se mãe
plena em confiança
como sol ardente
em novo amanhecer...

a cada segundo
sente-se diferente
há um lindo ser
que se põe nascente
eterno gigante
em cada resplandecer...

a mulher muda
fisicamente, encanta
ri-se de si, emana alegria
ao seu corpo transformar
em pleno amor
sua esperança...

(sobre as mudanças que a mulher percebe em seu corpo, a partir da gravidez...)
José Heber de Souza Aguiar, 29 de junho de 2020





segunda-feira, 29 de junho de 2020

Por vir

o tempo passa
transpassa, vem
os dias correm
transcorrem além
do sonho que cabe
(não sabe o que tem)
no infinito porvir
que nos toma aquém

tudo é fugaz
sóbrio transmuta
querer que reluta
passados ideais
se vive, casa, ama
põe-se infinita chama
que chama outrem
a tornar-nos muito mais

homem, mulher
amado casal
o amor gracioso
se põe entre nós
faz tanto bem
e nos torna ansiosos
alegres, chorosos
pelo presente divino
que se vem vindo
... neném...

José Heber e Érica Mônica
03 de junho de 2020
(poema com o qual comunicamos nossa gravidez!)